sábado, 13 de fevereiro de 2010

"Metade dos portugueses dorme mal"

Estas são as principais conclusões do estudo:
“Metade dos portugueses dorme mal”, publicado na TESTE SAÚDE n.º 51, de Outubro de 2004, em que 3600 portugueses participaram, preenchendo o nosso inquérito sobre hábitos do sono.
Para uma boa qualidade de vida, saúde física e mental, e menos sonolência durante o dia, deve dormir-se, na vida adulta, entre sete e oito horas.

Estas necessidades de sono são iguais para a grande maioria dos adultos. Apenas uma pequena minoria dos inquiridos referiu sentir-se fresca e repousada com menos de seis horas de sono por noite, o que sugere que as necessidades de sono podem variar de pessoa para pessoa. Para determinar as suas necessidades pessoais, durma até acordar por si (num dia sem noitadas), sem despertador. Sente-se descansado? Veja quantas horas dormiu. Eis as horas de sono de que necessita.



Mas a grande maioria dos que dormem menos de seis horas sentem que precisariam de dormir mais para “recarregar as baterias” (90%). Não conseguem devido ao estilo de vida ou mesmo a dificuldades para dormir (nomeadamente insónias). A ansiedade, o stresse, a depressão, os problemas no trabalho e as preocupações familiares são os principais culpados. Os problemas físicos (doença, dor), os filhos pequenos e o facto de o parceiro ressonar são outros factores que parecem prejudicar o sono dos portugueses.
Repercussões para o resto do dia, depois de uma noite mal passada: pelo menos, três em cada quatro portugueses referem sentir-se com mau aspecto, sonolentos durante o dia, com dores de cabeça ou sensação de cabeça pesada, problemas de concentração, reflexos diminuídos e irritabilidade em casa e no trabalho. A saúde mental e a vitalidade foram os aspectos da qualidade de vida mais afectados pela má qualidade do sono.
A questão torna-se particularmente preocupante quando a sonolência diurna (que afecta o quotidiano de mais de metade dos portugueses) atinge níveis que podem pôr em causa a segurança do próprio ou dos que o rodeiam.
Um em cada cinco inquiridos afirmaram acontecer-lhes com alguma frequência estarem tão sonolentos que seria possível adormecerem… ao volante!
Em mais de 25% dos casos, os portugueses ressonam alto. Muitas pessoas pensam que ressonar significa dormir profundamente. Ora, ressonar afecta sempre a qualidade do sono. Ressonar alto e acordar várias vezes durante a noite, em sobressalto, com falta de ar, podem indiciar que a pessoa sofre de apneia do sono, um problema que requer tratamento. Alguns estudos têm evidenciado uma relação entre apneia e doenças cardiovasculares. Nas crianças, contribui para problemas de comportamento e na aprendizagem.
Ressonar afecta também a qualidade do sono do companheiro, por causa do ruído, mas também devido à preocupação de sentir que pára de respirar durante alguns segundos.
Apesar de metade dos portugueses não dormir bem, e de isso ter consequências nefastas para a sua saúde física e mental, apenas um quarto procura ajuda profissional. Um em cada seis portugueses afirmam tomar medicamentos para dormir. Os medicamentos mais usados são os tranquilizantes, sedativos ou hipnóticos, seguindo-se os antidepressivos (70% e 13%, respectivamente). Os antidepressivos não são indicados para tratar problemas apenas relacionados com o sono. Apesar disso, 6% dos inquiridos que tomam medicamentos para dormir referem que os antidepressivos lhes foram prescritos para esse efeito.
A maioria dos tranquilizantes, sedativos e hipnóticos são à base de benzodiazepinas, uma substância activa que pode causar dependência física e psicológica e efeitos secundários frequentes (dificuldades de memória, de concentração, etc.). Por isso, não deveriam ser prescritos por mais de um mês, mas um quarto dos inquiridos estão a tomá-los há mais de 5 anos! A situação torna-se ainda mais preocupante se considerarmos que muitos portugueses tomam medicamentos para dormir melhor por sua iniciativa. Apenas um médico pode avaliar a gravidade dos sintomas e prescrever o tratamento mais adequado. Poderá também encaminhá-lo para uma consulta especializada.


Notícia publicada em: Deco Proteste

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